Você já fez todos os exames de colesterol, está com o LDL controlado, mantém hábitos saudáveis — e mesmo assim tem histórico de infarto na família ou um risco cardiovascular que “não fecha a conta”. Em muitos desses casos existe um culpado silencioso e pouco investigado: a Lipoproteína(a), ou Lp(a). Um fator de risco em grande parte hereditário, que não aparece no lipidograma comum e ainda passa despercebido na maioria das avaliações.
O que é a Lipoproteína(a)?
A Lipoproteína(a) é uma partícula semelhante ao LDL (o “colesterol ruim”), porém com uma proteína extra chamada apolipoproteína(a) acoplada à sua estrutura. Essa diferença faz da Lp(a) uma partícula com maior potencial de favorecer a formação de placas nas artérias (aterosclerose) e de aumentar a tendência à formação de coágulos.
Ao contrário do colesterol comum, muito influenciado pela alimentação e pelo estilo de vida, o valor da Lp(a) é determinado principalmente pela genética. Ou seja: você nasce com a sua tendência de Lp(a) elevada ou não.
Por que a Lp(a) é considerada um fator de risco importante?
Níveis elevados de Lp(a) estão associados a maior risco de:
• Infarto agudo do miocárdio
• Doença arterial coronariana precoce
• Acidente vascular cerebral (AVC)
• Estenose (estreitamento) da válvula aórtica
O ponto crítico é que esse risco é independente do LDL. Uma pessoa pode ter o colesterol “normal” e ainda assim carregar um risco cardiovascular aumentado por causa da Lp(a) alta.
💡 Dica do Dr. Éverton: Se há histórico de infarto ou AVC precoce na sua família — antes dos 55 anos nos homens ou dos 65 nas mulheres — vale conversar com seu cardiologista sobre dosar a Lp(a). Muitas vezes esse é o dado que explica o risco familiar. |
Como saber se a minha Lp(a) está alta?
O diagnóstico é simples: um exame de sangue específico para dosagem da Lipoproteína(a). Ele não faz parte do lipidograma de rotina e precisa ser solicitado à parte pelo médico. Por ser um valor majoritariamente genético e estável ao longo da vida, na maioria das pessoas basta medir uma vez.
Quem deveria dosar a Lipoproteína(a)?
• Pessoas com histórico familiar de doença cardiovascular precoce
• Pacientes que já tiveram infarto ou AVC, principalmente jovens
• Quem tem doença cardiovascular apesar de fatores de risco bem controlados
• Familiares diretos de quem já tem Lp(a) comprovadamente elevada
• Pacientes com colesterol muito alto de origem familiar
Lp(a) alta tem tratamento?
Atualmente não existe um medicamento aprovado exclusivamente para reduzir a Lp(a) — embora terapias específicas estejam em fase avançada de estudo. Isso não significa que nada pode ser feito: quando a Lp(a) está elevada, a conduta é controlar de forma ainda mais rigorosa todos os outros fatores de risco (LDL, pressão, diabetes, tabagismo, peso e sedentarismo). Reduzir o risco global é a estratégia que protege o paciente hoje.
📋 Importante: Um valor de Lp(a) elevado não é uma sentença. É uma informação valiosa que permite ao cardiologista planejar uma prevenção mais intensa e personalizada, muito antes de qualquer sintoma aparecer. |
Conclusão
A Lipoproteína(a) é um fator de risco hereditário, silencioso e ainda subvalorizado. Conhecer o seu valor pode explicar um risco familiar, orientar decisões de prevenção e ajudar a evitar um infarto ou AVC. Se a saúde do coração faz parte da história da sua família, vale a pena ter essa conversa com o seu cardiologista.
Cuide do seu coração hoje mesmo
Agende uma consulta com o Dr. Éverton Arantes Melo e faça uma avaliação cardiovascular completa.
Agendar pelo WhatsApp