Coração disparado sem motivo, cansaço fora do comum ou falta de ar ao fazer pequenos esforços podem ter uma causa comum: a fibrilação atrial. Em outros casos, porém, ela não dá nenhum sintoma e é descoberta por acaso em um exame. Entender a fibrilação atrial é importante porque, além de afetar a qualidade de vida, ela aumenta o risco de AVC.
O que é a fibrilação atrial?
Normalmente, o coração bate em um ritmo regular, comandado por um "marcapasso natural". Na fibrilação atrial, os átrios, que são as câmaras superiores do coração, passam a receber impulsos elétricos desorganizados. Como resultado, o coração bate de forma irregular e, muitas vezes, acelerada.
Segundo a diretriz brasileira de 2025 da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a fibrilação atrial é a arritmia sustentada mais comum na prática clínica. Além disso, sua frequência aumenta com a idade e chega a dobrar a cada década de vida.
Quais são os sintomas da fibrilação atrial?
De acordo com a diretriz, as palpitações são o sintoma mais comum. Outros sinais possíveis são:
- cansaço e menor disposição para atividades físicas;
- falta de ar;
- desconforto no peito;
- tontura ou sensação de desmaio.
No entanto, muitas pessoas não sentem nada, e a arritmia pode surgir e desaparecer ao longo dos dias. Saiba quando as palpitações merecem atenção.
Fibrilação atrial e AVC: qual é a relação?
Quando o coração bate de forma desorganizada, o sangue pode ficar parado em uma parte do átrio e formar coágulos. Se um desses coágulos se solta, ele pode chegar ao cérebro e causar um AVC.
Segundo a diretriz brasileira, a fibrilação atrial aumenta, em média, cerca de quatro vezes a chance de AVC e responde por cerca de 15% de todos os AVCs isquêmicos. Por isso, avaliar e prevenir esse risco é uma das prioridades do tratamento. Conheça também os sinais de alerta do AVC.
⚠️ Atenção: fraqueza ou formigamento em um lado do corpo, boca torta ou dificuldade para falar são sinais de AVC. Nesses casos, procure um pronto-socorro imediatamente.
Quem tem mais risco?
Além da idade, alguns fatores aumentam a chance de fibrilação atrial:
- hipertensão arterial, considerada um dos fatores de risco mais importantes;
- obesidade;
- apneia do sono;
- consumo de álcool;
- diabetes, sedentarismo e tabagismo.
Muitos desses fatores podem ser controlados. Entenda a relação entre apneia do sono e coração e veja como controlar a pressão alta.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito pelo registro da arritmia em um eletrocardiograma. Contudo, como a fibrilação atrial pode ir e vir, nem sempre ela aparece em um exame rápido. Nesses casos, o cardiologista pode indicar a monitorização por mais tempo, como o Holter 24 horas.
Como é o tratamento da fibrilação atrial?
O tratamento é individualizado e, segundo a diretriz, envolve vários pilares:
- Avaliar o risco de AVC e de sangramento, para decidir sobre a anticoagulação, ou seja, o uso de medicamentos que reduzem a formação de coágulos.
- Controlar a frequência ou o ritmo do coração, com medicamentos ou procedimentos.
- Considerar a ablação por cateter em casos selecionados, um procedimento que trata a origem da arritmia.
- Tratar os fatores de risco, como pressão alta, peso, apneia do sono e consumo de álcool.
📋 Importante: nunca inicie, suspenda ou altere remédios por conta própria. Afinal, a escolha do tratamento depende de uma avaliação completa do seu caso.
💡 Dica do Dr. Éverton: se você sente o coração "batendo descompassado", principalmente depois dos 60 anos ou se tem pressão alta, procure uma avaliação. Um diagnóstico precoce permite proteger o seu cérebro antes que um AVC aconteça.
Conclusão
A fibrilação atrial é a arritmia mais comum e pode ser silenciosa, mas tem diagnóstico simples e tratamento eficaz. Reconhecer os sintomas, controlar os fatores de risco e fazer o acompanhamento com o cardiologista reduz o risco de AVC e melhora a qualidade de vida.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta, o diagnóstico, os exames ou o acompanhamento individualizado com um profissional de saúde.
Dr. Éverton Arantes Melo — Cardiologista | CRM-MG 50784 | RQE Cardiologia 35385 | RQE Ecocardiografia 47096
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